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Autárquicas 2017: Santarém, onde o passado merece um futuro equilibrado e sustentável

Sábado, 09.09.17

 

 

A aconpanhar as Autárquicas 2017, tenho descoberto o seguinte: muitos independentes apresentam-se apoiados por partidos; começam a surgir jovens com motivação pela intervenção cívica; os melhores candidatos podem surgir de um qualquer partido, da esquerda à direita; verifica-se uma melhoria na comunicação entre os candidatos, com menos agressividade; a diversidade cultural está presente, 

No Twitter, tenho comentado os debates, uns na hora, outros dias depois :) como este, de Santarém, que gravei: "... interessante intervenção de Rocha Pinto, o candidato do CDS. Colaboração funcional possível: CDS com PSD e CDU. ... a candidata do BE tem ideias e pode ser uma vereadora virada para o futuro. Precisa de melhorar a comunicação. ... recupero a conclusão, CDS para a câmara, e colaboração funcional com PSD e BE."

Esta recuperação da conclusão revelou-se necessária porque fui comentando no Twitter à medida que ia acompanhando o debate. Aprendi a lição: o tempo do Twitter é demasiado sincopado para revelar o essencial. Assim, o candidato da CDU acaba por perder relativamente à candidata do BE, isto é, a candidata foi revelando a pouco e pouco as suas ideias, cultura de base, interacção. E está virada para o futuro.

 

É com algum conforto de alma que me apercebo que nem todos os candidatos autárquicos sofrem da megalomania cultural que nos trouxe tantos prejuízos. Muitos revelam bom senso, o que é refrescante, noção clara de equilíbrio possível entre o passado (história, património, comércio tradicional, etc.) e o futuro (ciência, tecnologia, etc.), ideias inovadoras e sustentáveis para resolver problemas e melhorar a qualidade de vida dos munícipes e, em simultâneo, o desenvolvimento da região.

 

O candidato do CDS parece ser o melhor preparado para assumir a responsabilidade da câmara. É na sua intervenção, calma e bem artiiculada, que vemos como o passado e o futuro se podem aqui encontrar e conviver, com benefício mútuo.

Acessibilidades: reconhecimento desta forte vantagem de Santarém, com a auto-estrada e a ferrovia. Proposta interessante de deslocar apenas a estação ferroviária, "na mesma linha e na mesma cantenária", para perto da zona comercial do CNEMA, centro nacional de exposições, onde existem parques de estacionamento, e onde se poderia fazer uma zona intermodal colocando, também ali, a rodoviária. Além de ficar igualmente próxima do aeródromo.

Reconhecimento da necessidade de melhorar as acessibilidades das freguesias do norte do concelho, Alcanede e Amiais, com a correcção do traçado das estradas, por se tratar de um obstáculo que permitiu que "fugissem para" a Azambuja e Alcanena diversas empresas, quando Santarém tem "melhores acessibilidades e pavilhões vazios". A sua posição geográfica no centro do país, e ligado a tudo o que é vias de comunicação, permite-lhe vir a ser "uma plataforma logística do país."

Mobilidade dentro da cidade: proposta de um elevador mecânico que ligue as zonas superior e inferior do planalto. 

Turismo: de cariz religioso, como o Santuário do Santíssimo Milagre, o património religioso da época medieval, o museu diocesano, não valorizado, e que faria parte dos objectivos a curto-prazo, "para alavancar o emprego".

Habitação no centro histórico, com legislação que facilite a sua reabilitação. A partir daí, o pequeno comércio e o comércio tradicional vai-se reanimar.

Um parque da cidade no terreno onde se realizavam as feiras, a limpeza da cidade, cuidar dos jardins. Algumas "pequenas coisas" que fazem muito pela qualidade de vida dos munícipes.

 

Enquanto o candidato do PSD, actual presidente, refere, ufano, as startups, a candidata do BE privilegia as pessoas e alerta para a ausência de informação sobre o tipo de trabalho que desenvolvem e as suas condições. Embora o presidente insista que há informação disponível, todos sabemos que há ainda uma certa opacidade na cultura de base de muitas startups.

A obra feita centra-se essencialmente no investimento na escola prática de cavalaria, onde estão inseridos vários serviços, incluindo a Startup Santarém - centro de inovação empresarial, e obras no centro histórico da cidade.

Agora falta uma visão integrada e virada para o futuro que não passe apenas pela cultura do desenvolvimento economicista.

 

A candidata do BE revela, a pouco e pouco, ter ideias interessantes e viradas para o futuro, mas precisa de melhorar a sua comunicação. É quem refere a importância de envolver os munícipes através do orçamento participativo, uma cultura comunitária, o ambiente, as ciclovias, a agricultura biológica, o aproveitamento turístico equilibrado e sustentável da zona ribeirinha com caminhos pedonais. 

Por isso a considerei como uma vereadora que pode colaborar, de forma positiva, na definição de áreas e na opção de estratégias, de um futuro que privilegia a qualidade em vez da quantidade.    

 

Concluindo, o projecto mais inteligente, equilibrado e sustentável, é o do candidato do CDS, que revela, além disso, o perfil mais adequado a presidente de câmara, que desenha o futuro de forma integrada e perspectivando-o em várias fases.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:38








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